Conflito no Oriente Médio pode pressionar preços dos alimentos no Brasil

5 de março de 2026

A escalada do conflito entre Irã e Estados Unidos, que repercute em todo o Oriente Médio, tende a elevar os preços dos alimentos para o consumidor brasileiro nos próximos meses, avaliam economistas. Em poucos dias de tensões, custos importantes da produção agrícola já registraram alta.

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Por que os alimentos podem ficar mais caros?

Fertilizantes – A agricultura brasileira depende de adubos importados, e parte relevante da matéria-prima vem do Oriente Médio. Com a instabilidade, as cotações já subiram nesta semana.
Transporte marítimo – O fechamento do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas comerciais do planeta, forçou desvios de navios com cargas destinadas ao Brasil, encarecendo o frete.
Diesel – A região é grande fornecedora de petróleo. Qualquer pressão sobre o barril tende a elevar o preço do combustível, impactando o uso de máquinas no campo e o transporte de alimentos.

Segundo Leandro Gilio, pesquisador do Insper Agro Global, o choque de custos chega num momento delicado para o produtor rural, que já enfrenta juros elevados e restrições de crédito.
“A dúvida é o tamanho do impacto na produção e quanto tempo o conflito vai durar. Não parece algo de rápida resolução”, afirma. Para ele, o efeito é imediato no campo, mas pode levar alguns meses para aparecer nas prateleiras.

Felippe Serigati, pesquisador da Fundação Getúlio Vargas (FGV Agro), pondera que ainda é cedo para medir a magnitude do repasse. Ele destaca fatores que podem ajudar a conter os preços, como a queda do dólar desde o início do ano e condições climáticas favoráveis à produção.

Oriente Médio e fertilizantes

Dados de 2025 do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que o Oriente Médio é a quarta maior região fornecedora de fertilizantes químicos para o Brasil — atrás de Europa, Ásia e África. No ranking por países, lideram Rússia, China e Canadá; na sequência aparecem nações do Oriente Médio como Arábia Saudita (6º), Israel (8º), Omã (9º), Catar (11º) e Irã (22º).

Apesar das posições individuais, a região tem peso decisivo no mercado global. Ela responde por cerca de 40% das exportações mundiais de ureia e 28% das vendas externas de amônia, explica Tomás Rigoletto Pernías, analista da StoneX Brasil.
“Qualquer evento na região impacta diretamente os preços globais”, afirma. Após o início do conflito, as cotações dispararam: “Houve altas imediatas e severas, entre 10% e 12% em um único dia, inclusive no Brasil”.

O contrato futuro da ureia para março, no mercado brasileiro, subiu US$ 39 entre os dias 2 e 3 deste mês. Pernías lembra que os preços já estavam pressionados antes do conflito, em função do preparo do plantio de grãos nos EUA e na China e da forte demanda da Índia. “Além disso, o Irã já enfrentava paralisações de fábricas por falta de gás natural”, conclui.

Resumo: o impacto ao produtor tende a ser rápido; o repasse ao consumidor, gradual. A intensidade e a duração do conflito serão decisivas para o tamanho do aumento nos preços dos alimentos no Brasil.

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