Violência, armas de grosso calibre, explosivos e um rastro de destruição a cada ação criminosa. Essa modalidade de ataque a agências bancárias, carros-fortes e outras instituições financeiras, denominada “Novo Cangaço”, tem participação de bandidos de Alagoas que migram para cometer crimes em outros estados.
Na última sexta-feira (20), um assalto com explosão de caixa eletrônico em uma agência bancária no interior de Minas Gerais terminou com a prisão de três homens, sendo dois alagoanos de Maceió e de Delmiro Gouveia, suspeitos de chefiar uma ramificação do grupo criminoso no estado.
“Existem alagoanos especializados nesse tipo de crime. Muitos deles já vieram a óbito em confronto com policiais logo após assaltos a bancos ou carros-fortes, mas os alagoanos remanescentes nesse nicho têm atuado em outros estados federativos, como ocorreu na última sexta-feira em Itinga (MG)”, explicou o delegado Filipe Caldas, da Seção de Roubo a Banco (SERB) da Polícia Civil de Alagoas.
O grupo recebeu o nome de “Novo Cangaço” em alusão a Lampião e seu bando de cangaceiros, responsáveis por incontáveis assaltos e assassinatos em cidades do Sertão nordestino na década de 30, espalhando terror por onde passavam.
Segundo o delegado Filipe Caldas, Alagoas não registra esse tipo de crime desde 2019, mas bandidos do estado continuam se especializando em explosões e assaltos a bancos para atuar em outras regiões do país.
“[Os criminosos] investem em veículos roubados, às vezes blindados, armamento pesado, planejamento estratégico, com reconhecimento do município alvo, aluguel de chácaras em zonas rurais vizinhas, estudo das rotas de fuga, etc”, explicou.
A Polícia Civil reconhece a atuação do “Novo Cangaço” porque os criminosos costumam atuar de modo semelhante por onde passam, sempre com muita violência e sem a menor preocupação em chamar atenção.
“Furam pneus de viaturas da PM, incendeiam ônibus ou caminhões para bloquear a saída dos militares, sitiam a cidade, muitas vezes sequestrando civis como reféns, enquanto explosivistas atuam nos cofres das agências. Quando não são usados explosivos, os criminosos agridem os funcionários do banco e ameaçam familiares, no interesse de subtrair o numerário”, descreveu Caldas.
Fonte: G1






