James Cameron segue provando que apostar contra ele não costuma ser uma boa ideia. Em cartaz nos cinemas brasileiros a partir desta quinta-feira (18), Avatar: Fogo e Cinzas, terceiro capítulo da franquia protagonizada pelos Na’Vi, entrega tudo o que consagrou a saga — agora elevado à máxima potência, tanto nos acertos quanto nas falhas.
Responsável por três das cinco maiores bilheterias da história do cinema, Cameron aposta novamente em uma experiência audiovisual grandiosa. O novo filme impressiona pela evolução gráfica, mesmo chegando apenas três anos após Avatar: O Caminho da Água (2022). A tecnologia empregada, mais uma vez, transforma Pandora em um espetáculo à parte, com cenários ainda mais detalhados, fauna e flora bioluminescentes e personagens que beiram o realismo absoluto.
A essa altura, a franquia já deixou claro que o público não vai ao cinema em busca de uma trama complexa. Assim como em uma montanha-russa, o atrativo principal está nos altos e baixos de uma aventura visualmente estonteante, ainda que o início e o desfecho da jornada sejam previsíveis. Ciente disso, Cameron trata o roteiro quase como um complemento de uma obra pensada para grandes telas.
Em entrevista ao g1, o diretor revelou que os filmes dois e três chegaram a ser concebidos como uma única história, algo perceptível na narrativa. Fogo e Cinzas funciona, na prática, como uma continuação direta do longa anterior, inclusive contrariando o próprio título: há muito mais água do que fogo na trama.
Sem entrar em spoilers, a história segue acompanhando Jake Sully (Sam Worthington), o ex-soldado humano que vive agora como Na’Vi. Após a perda do filho mais velho, ele precisa lidar com uma nova dinâmica familiar enquanto busca proteger os mares de Pandora da exploração humana, formando alianças antigas e inéditas.
Visualmente, o filme atinge um novo patamar. A obsessão de Cameron por inovação tecnológica aparece em cada cena. Os Na’Vi nunca pareceram tão vivos: poros, músculos e expressões faciais realistas valorizam a captura de performance dos atores. Zoe Saldaña retorna com uma Neytiri mais densa e relevante, retomando seu papel de líder tribal e familiar. Já Stephen Lang, apesar do retorno controverso de seu vilão, acaba se beneficiando do absurdo e se torna um dos pontos altos do longa.
O principal problema permanece no roteiro, que mais uma vez recorre a conveniências narrativas difíceis de ignorar. Conflitos surgem e se resolvem quase por mágica, exércitos desaparecem sem explicação e a grande batalha final lembra uma fusão pouco inspirada dos desfechos anteriores.
Ainda assim, Avatar: Fogo e Cinzas é maior, mais ousado e mais visualmente impactante que seus antecessores. Para o público que transformou a franquia em um fenômeno bilionário — com quase US$ 3 bilhões arrecadados no primeiro filme e US$ 2,3 bilhões no segundo —, isso provavelmente é mais do que suficiente.
No fim das contas, Cameron entrega exatamente o que se espera: um espetáculo grandioso, tecnicamente impecável e feito para ser vivido em tela gigante, mesmo que a história fique, mais uma vez, em segundo plano.





