Mudanças climáticas: La Niña surge como próximo fenômeno meteorológico

Especialistas alertam que o Brasil continue enfrentando altas temperaturas até maio devido ao El Niño, seguido pelo início do fenômeno La Niña no segundo semestre de 2024

31 de janeiro de 2024

Nos últimos meses, o Brasil tem experimentado condições climáticas desafiadoras, sendo influenciado, em parte, pelo fenômeno El Niño. A Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) estima que há mais de 50% de probabilidade de que essas altas temperaturas persistam até maio. Após esse período, a expectativa é de que a Terra entre em um estado de neutralidade, preparando o cenário para a chegada do fenômeno La Niña no segundo semestre de 2024.

El Niño e sua influência

A Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA) prevê que os efeitos do El Niño, caracterizados por ondas de calor, chuvas intensas e secas extremas, perdurem até abril, com a possibilidade de estender-se até maio. O fenômeno El Niño aqueceu as águas do Oceano Pacífico, mas a NOAA antecipa que essas águas começarão a esfriar entre março e maio, atingindo a neutralidade em junho.

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La Niña e suas características únicas

Assim como o El Niño, o La Niña é um fenômeno que se desenvolve no Oceano Pacífico. Durante o La Niña, os ventos alísios tornam-se ainda mais robustos, impulsionando águas mais quentes em direção à Ásia. Esse fenômeno também desencadeia o processo de ressurgência, elevando águas frias e ricas em nutrientes na costa oeste das Américas.

A mudança nas temperaturas das águas e na pressão atmosférica tem implicações significativas nos padrões de chuva. Ao contrário do El Niño, o La Niña resulta no resfriamento das águas do Pacífico, revertendo os efeitos climáticos no Brasil. O meteorologista da Funceme, Lucas Fumagalli, explica que durante o La Niña, as águas próximas ao Equador ficam mais frias, persistindo por pelo menos três trimestres.


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Mudanças no clima brasileiro com o fenômeno La Niña (Foto: reprodução/Freejpg)


Desdobramentos no clima brasileiro

Diferentemente do El Niño, o La Niña altera as condições climáticas em diferentes regiões do Brasil. Andrea Malheiros, meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), destaca que o La Niña traz aumento das chuvas no Norte e no Nordeste, enquanto o Sul enfrenta redução nas precipitações. A especialista sublinha a inversão de efeitos em comparação ao El Niño. O La Niña, muitas vezes sucedendo o El Niño, afeta diretamente a agricultura. A reflexão de ondas oceânicas é apontada como uma das razões para a transição entre os dois fenômenos.

Impactos anteriores e expectativas para 2024

O último registro do La Niña ocorreu há três anos, culminando em baixas temperaturas na região Centro-Oeste. Em 2024, a previsão aponta para o início do La Niña a partir de outubro, influenciando as condições climáticas na América do Sul. Os efeitos mais intensos são esperados nos meses de outubro e novembro, contribuindo para condições secas no Sul do Brasil.

Diante dos desafios climáticos, a chegada do La Niña em 2024 demanda atenção, especialmente para os setores agrícolas que podem enfrentar riscos de seca durante o plantio e desenvolvimento de culturas. A intercalação entre El Niño e La Niña continua a moldar o cenário meteorológico global, e o Brasil se prepara para se adaptar a essas mudanças, buscando mitigar impactos potenciais em diferentes regiões do país.

Foto destaque: fenômeno La Niña traz aumento das chuvas no Norte e no Nordeste do país (Reprodução/Mega Curioso)

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