Registro histórico encontrado na Bahia altera data de nascimento de Maria Bonita.

17 de novembro de 2025

Uma descoberta realizada no município de Jeremoabo, no interior da Bahia, está redefinindo um capítulo importante da história do cangaço. Pesquisadores localizaram um documento inédito que corrige a data de nascimento de Maria Bonita, figura central do bando de Lampião e símbolo da resistência sertaneja.

Durante décadas, consolidou-se a ideia de que Maria Bonita havia nascido em 8 de março de 1911, coincidência que reforçou ainda mais sua representatividade feminina — afinal, a data coincide com o Dia Internacional da Mulher. Entretanto, a narrativa que circulou por livros, reportagens e produções culturais nunca foi sustentada por documentos oficiais.

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A situação mudou com a descoberta do registro de batismo original da cangaceira, preservado nos arquivos da Paróquia de São João Batista, pertencente à Diocese de Paulo Afonso. O documento, datado de setembro de 1910, confirma outra verdade: Maria Bonita nasceu em 17 de janeiro de 1910, mais de um ano antes do que se imaginava.

Uma busca que atravessou décadas

O novo achado também resgata o trabalho de pesquisadores que, ao longo dos anos, desconfiavam das versões consolidadas. Entre eles, o estudioso do cangaço Voldi de Moura Ribeiro, já falecido, que chegou a mencionar a existência de um registro capaz de desfazer a data popularizada, mas nunca teve acesso ao documento.

O batistério encontrado em Jeremoabo comprova aquilo que antes era apenas hipótese: a data amplamente repetida não tinha sustentação histórica. Agora, com o documento em mãos, estudiosos consideram o achado um marco para as pesquisas sobre o ciclo do cangaço.

Impacto na memória histórica

O registro não apenas corrige a biografia de Maria Bonita, mas também reforça a importância dos arquivos paroquiais na reconstrução da história do Nordeste. A confirmação documental deve motivar novas revisões em obras já publicadas e estimular pesquisas mais profundas sobre a vida da cangaceira e sua trajetória ao lado de Lampião.

A descoberta devolve precisão a um dos nomes mais emblemáticos da cultura sertaneja e reabre espaço para novas leituras sobre a mulher que se tornou símbolo do cangaço — agora, com sua verdadeira data de nascimento finalmente reconhecida.

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