Uma descoberta realizada no município de Jeremoabo, no interior da Bahia, está redefinindo um capítulo importante da história do cangaço. Pesquisadores localizaram um documento inédito que corrige a data de nascimento de Maria Bonita, figura central do bando de Lampião e símbolo da resistência sertaneja.
Durante décadas, consolidou-se a ideia de que Maria Bonita havia nascido em 8 de março de 1911, coincidência que reforçou ainda mais sua representatividade feminina — afinal, a data coincide com o Dia Internacional da Mulher. Entretanto, a narrativa que circulou por livros, reportagens e produções culturais nunca foi sustentada por documentos oficiais.
A situação mudou com a descoberta do registro de batismo original da cangaceira, preservado nos arquivos da Paróquia de São João Batista, pertencente à Diocese de Paulo Afonso. O documento, datado de setembro de 1910, confirma outra verdade: Maria Bonita nasceu em 17 de janeiro de 1910, mais de um ano antes do que se imaginava.
Uma busca que atravessou décadas
O novo achado também resgata o trabalho de pesquisadores que, ao longo dos anos, desconfiavam das versões consolidadas. Entre eles, o estudioso do cangaço Voldi de Moura Ribeiro, já falecido, que chegou a mencionar a existência de um registro capaz de desfazer a data popularizada, mas nunca teve acesso ao documento.
O batistério encontrado em Jeremoabo comprova aquilo que antes era apenas hipótese: a data amplamente repetida não tinha sustentação histórica. Agora, com o documento em mãos, estudiosos consideram o achado um marco para as pesquisas sobre o ciclo do cangaço.
Impacto na memória histórica
O registro não apenas corrige a biografia de Maria Bonita, mas também reforça a importância dos arquivos paroquiais na reconstrução da história do Nordeste. A confirmação documental deve motivar novas revisões em obras já publicadas e estimular pesquisas mais profundas sobre a vida da cangaceira e sua trajetória ao lado de Lampião.
A descoberta devolve precisão a um dos nomes mais emblemáticos da cultura sertaneja e reabre espaço para novas leituras sobre a mulher que se tornou símbolo do cangaço — agora, com sua verdadeira data de nascimento finalmente reconhecida.






