A Justiça do Rio de Janeiro determinou nesta quinta-feira (2) a soltura de Érika Souza, sobrinha do Tio Paulo, o idoso levado já morto para tentar realizar um empréstimo em um banco. No entanto, Érika continuará respondendo pelos crimes de tentativa de estelionato e vilipêndio de cadáver. A mulher estava detida desde o dia 16.
A juíza Luciana Mocco, titular da 2ª Vara Criminal de Bangu, acatou a denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), tornando Érika ré. Apesar disso, a magistrada concedeu liberdade à acusada atendendo a um pedido da sua defesa. Com isso, Érika irá responder ao processo em liberdade, mediante o cumprimento de medidas cautelares.
Além das acusações anteriores, Érika também está sendo investigada, em outro inquérito, por homicídio culposo. Esse processo está em curso na Polícia Civil, que ainda decidirá se irá indiciar Érika por esse crime.
Medidas cautelares foram impostas pela juíza, incluindo o comparecimento mensal ao cartório do juízo, a proibição de se ausentar da Comarca por mais de 7 dias sem autorização judicial, e a apresentação de laudo médico caso haja necessidade de internação para tratamento da saúde mental.
Na justificativa para a soltura, Luciana destacou que Érika é ré primária, com residência fixa, e não apresenta periculosidade que prejudique a instrução criminal ou coloque em risco a ordem pública.
A denúncia do Ministério Público ressaltou o desprezo e desrespeito demonstrados por Érika ao levar o cadáver de Paulo Roberto Braga, seu tio e de quem era cuidadora, a uma agência bancária para realizar um saque. O documento ainda indica que a acusada sabia da morte de Paulo, mas decidiu prosseguir com a tentativa de saque do empréstimo mesmo assim.
O delegado responsável pelo caso citou novas evidências para incluir o crime de homicídio culposo. Segundo ele, depoimentos revelaram que Érika tentou inserir uma conta bancária própria para receber o dinheiro do tio e até mesmo foi à agência sozinha para tentar sacar o valor, apesar de saber que ele precisaria assinar. Diante do insucesso, Érika optou por levar o tio ao banco.
O relatório do inquérito conclui que Érika simulou que o tio estava vivo durante a tentativa de saque, inclusive chegando a interagir com ele e segurando sua mão para a assinatura, mesmo sabendo que ele estava morto. As investigações ainda estão em andamento para determinar o momento exato da morte de Paulo.






